A COVID-19 tem resultado na persistência de vários sintomas após a fase ativa da doença, que incluem além da falta de ar, a fadiga, canseira, dores, fraqueza muscular e ansiedade. Essa persistência de sintomas pode se dar não só em pacientes graves, que foram internados e necessitaram de ventilação mecânica, mas também naqueles que apresentaram sintomas leves e ficaram em casa.
A persistência desses sintomas pode ser atribuída à resposta do nosso corpo ao vírus, que gera uma inflamação sistêmica, ou seja, em vários órgãos do nosso corpo. Os efeitos mais difundidos são aqueles que afetam o sistema respiratório, cardíaco, nervoso e muscular.
O sistema respiratório é a principal via de entrada e contaminação do vírus. No pulmão, a inflamação afeta a produção de um composto de substâncias (surfactante) que mantém as unidades respiratórias (alvéolos) abertas. Com o dano nos alvéolos, há um prejuízo nas trocas gasosas, podendo diminuir a concentração de oxigênio em nosso sangue, o que afeta vários tecidos e pode explicar a dificuldade de realizar uma inspiração completa, a falta de ar e a queda da saturação periférica de oxigênio.
Com a ventilação pulmonar prejudicada, nosso coração tende a aumentar os batimentos cardíacos, na tentativa de fazer com que nosso sangue circule mais rápido para garantir oxigênio e nutrientes a todos o corpo. Além disso, algumas pessoas podem apresentar uma inflamação mais importante na parede do coração ou arritmias, o que torna fundamental uma avaliação cardiológica antes de iniciar um processo de reabilitação ou retornar às atividades físicas.
Nossos músculos também sofrem, tanto pela redução de oxigênio que não é absorvido e distribuído adequadamente, quanto pela inflamação que atinge diretamente os ossos e músculos, consumindo especialmente nossa massa magra. Esse fenômeno pode justificar as dores no corpo, a fraqueza e a fadiga.
É possível reverter a maior parte desses quadros por meio de exercícios físicos individualmente prescritos. A recomendação é de iniciar com exercícios de baixa intensidade, e ir progredindo aos poucos. Alguns pacientes podem necessitar de oxigênio suplementar durante o exercício, item avaliado na consulta fisioterapêutica por meio de testes físicos e funcionais, e discutido com o médico que acompanha o caso. Outros pacientes podem se beneficiar de suporte ventilatório com pressão positiva (VNI – Bipap ou CPAP).
Os exercícios aeróbicos podem ser realizados em bicicleta ergométrica, esteira, circuitos funcionais ou em ar livre. Precisam ser monitorados e ajustados numa intensidade moderada para aumentar a resposta cardiovascular, respiratória e musculoesquelética. Também deve-se associar exercícios de fortalecimento muscular, para recuperar a massa magra que foi consumida, ativar os estímulos neuromusculares e para gerar um incremento no sistema cardiovascular e respiratório.
Os pacientes podem se beneficiar também do treinamento de músculos inspiratórios (diafragma), desde que na avaliação o paciente apresente fraqueza ou baixa endurance muscular respiratória.
Com o acompanhamento de um fisioterapeuta especializado é possível intervir sobre essas alterações, favorecendo ao máximo o retorno às condições funcionais antes da COVID.
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