Você com certeza já presenciou algum paciente se queixando de tontura, que dizia ver o mundo girar quando foi deitar na cadeira de procedimento, não é mesmo? Dia 22 de abril é celebrado o dia da tontura e trouxemos este artigo para vocês, como forma de conscientização sobre o tema e melhor direcionamento dos pacientes que podem apresentar este sintoma em consultório.
A tontura é um sintoma inespecífico, que pode estar relacionada a alterações em variados sistemas e estruturas do corpo, e por isso, muitas vezes, pode ter um manejo difícil na avaliação e tratamento. Quanto ao conceito, muitas vezes é confundida com vertigem. Conceitualmente, a tontura é descrita como sensação de cabeça cheia, andar nas nuvens, instabilidade ou sentir o corpo puxar para trás ou para algum lado quando anda. Já a vertigem é qualquer percepção de ilusão de movimento, como ver o mundo girar, ver o carro ao lado andar mesmo estando parado no semáforo ou sentir o corpo balançando.
Dentre as várias causas e tipos de tontura ou vertigem, destaco a VPPB – Vertigem Postural Paroxística Benigna, a famosa “tontura dos cristais do ouvido”. Ela é uma tontura postural, evocada por movimentos específicos da cabeça, como ao deitar-se, abaixar para alcançar algo, virar na cama ou olhar para cima. Ela é episódica, dura poucos segundos, e o paciente costuma se queixar de vertigem do tipo rotatória, e tem a sensação de que vai cair, porque vê o mundo girar. Pode ou não estar associada a náuseas, taquicardia ou sudorese.

A VPPB é resultante de alterações no sistema vestibular, o sistema responsável por captar os movimentos da cabeça que fica localizado no ouvido interno. Otocônias (um tipo de célula do sistema vestibular) se desprendem da membrana gelatinosa dos órgãos otolíticos e se deslocam para os canais semicirculares. Desta forma, qualquer movimento na direção do canal semicircular afetado gerará conflito de informação ao sistema, que ativará reflexos oculares por meio de nistagmos, fazendo com que o paciente tenha a falsa sensação de rotação da imagem à sua volta.
A causa é de origem idiopática, e pode atingir qualquer pessoa, em qualquer idade. Existem alguns fatores de risco: mulheres, alterações hormonais ou metabólicas, baixa de vitamina D, posições prolongadas, traumas ou acidentes e estresse.
Como trata-se de uma alteração estrutural, o padrão ouro para tratamento são manobras liberatórias, capazes de retirar os otólitos do canal semicircular por meio de movimentos da cabeça. Estas manobras podem ser realizadas por médicos, fisioterapeutas e fonoaudiólogos com formação e experiência em Otoneurologia ou Reabilitação Vestibular.
As evidências trazem que 85% dos casos podem ser resolvidos em um único atendimento. Sem medicamento, e sem necessidade de exames complementares. O diagnóstico é puramente clínico, baseado principalmente na anamnese e sintomas relatados.
Por ser uma queixa comum, de fácil manejo e que traz mais segurança ao profissional e ao paciente, esperamos que este texto possa ajuda-los a identificar e encaminhar os pacientes para profissionais especializados, e assim, seguir com o tratamento odontológico sem tontura.

Crefito-9/130029
Responsável pelo serviço de fisioterapia da LongBalance